Evilásio Cavalcanti assume em Cabedelo e anuncia reforma administrativa; Edvaldo Neto segue afastado

Em solenidade realizada na Câmara Municipal de Cabedelo, o vice-prefeito eleito, Evilásio Cavalcanti (Avante), tomou posse nessa segunda-feira (25) como prefeito interino do município. A ascensão do gestor, o quarto desde janeiro de 2025, ocorre em cumprimento às determinações do Poder Judiciário, que mantêm o prefeito eleito nas urnas, Edvaldo Neto (Avante), afastado cautelarmente das funções executivas devido aos desdobramentos da Operação Cítrico, desencadeada pela Polícia Federal.

O rito de transmissão e vacância institucional foi dividido em duas etapas sucessivas ao longo do dia. No fim da tarde, a juíza Thana Michelle Carneiro Rodrigues, titular da 57ª Zona Eleitoral, presidiu a sessão de diplomação dos eleitos no Teatro Santa Catarina, referendando o resultado do pleito suplementar de 12 de abril, quando a chapa majoritária obteve 16.180 votos, o equivalente a 61,21% dos sufrágios válidos. Já no turno da noite, o Parlamento Municipal formalizou a renúncia de Edvaldo e Evilásio aos mandatos de vereador que ocupavam anteriormente e declarou a suspensão do exercício do titular. O presidente do Legislativo, Wagner do Solanense (PV), conduziu o juramento constitucional de Evilásio como chefe interino do Executivo. Com a nova arrumação, o antigo prefeito interino, José Francisco Pereira (Avante), reassume a presidência da Câmara Municipal, enquanto o suplente Henrique Douglas (Avante) foi empossado na vaga em aberto no parlamento.

Ao discursar na tribuna da Câmara, Evilásio Cavalcanti enfatizou que encara o momento como uma convocação pública e pediu a união dos servidores e moradores para estabilizar os serviços básicos do município.

“Hoje, pela gravidade deste momento e em respeito aos cidadãos dessa cidade, eu lhes digo: preciso de todos vocês comigo neste momento. Eu nunca, nem em meus sonhos mais distantes, por mais que todo esse projeto político que a gente desenvolve, eu imaginei que chegaria neste momento, que carregaria uma responsabilidade tão grande como essa que recebo hoje. Sinto um peso neste momento. Estou aqui porque aceitei uma missão”, declarou o prefeito empossado.

Como primeira medida de impacto de seu governo, Cavalcanti anunciou a execução imediata de uma auditoria técnica e de uma reforma administrativa severa nas secretarias municipais. O prefeito sinalizou que aplicará uma lógica de contenção de despesas típica da iniciativa privada para ajustar a máquina e assegurar a governabilidade, além de afastar qualquer possibilidade de acomodação de Edvaldo Neto na nova composição de auxiliares.

“Vamos cortar o que for supérfluo, enxugar a máquina e garantir que cada centavo do dinheiro público seja destinado ao que realmente importa, o bem-estar do povo. Não vou inventar a roda. Vou fazer como um pequeno comerciante faz. Ajustar o tamanho da despesa à capacidade de pagamento. Nos próximos dias iremos fortalecer os mecanismos internos de controle e criar o acompanhamento de tudo e de todos os contratos, compras e processos administrativos. Se for preciso enfrentar qualquer tentativa de desorganizar ou capturar a máquina pública, faremos isso com o apoio institucional e dentro da lei. Quem não estiver disposto a caminhar dentro da moralidade e da lei não terá espaço”, asseverou Evilásio, complementando que as adequações serão feitas por meio do diálogo, sem perseguições ou truculência.

Apesar de assistir à posse do aliado da posição de espectador das decisões administrativas, o prefeito eleito Edvaldo Neto também fez uso da palavra durante a sessão solene. O político, que ocupava o cargo de forma interina desde dezembro de 2025 após a cassação do ex-prefeito André Coutinho, minimizou os impactos de seu afastamento cautelar e teceu elogios ao perfil de seu substituto legal, classificando o resultado das urnas como um marco para a história política local.

“Quero dizer da minha confiança no meu amigo prefeito Evilásio, homem experiente, de grupo, preparado e comprometido com nossa cidade. Recebo o momento com tranquilidade, equilíbrio e respeito às instituições e à Justiça, sempre confiando que tudo acontece no tempo certo e da forma correta. O mais importante agora é que a cidade continue funcionando, crescendo e olhando para a frente, porque o povo quer resultado, quer trabalho, desenvolvimento e uma gestão presente na vida das pessoas. E eu acredito muito no futuro dessa cidade, da minha cidade de Cabedelo”, pontuou Edvaldo Neto.

O pano de fundo da instabilidade política em Cabedelo é balizado pelas investigações da Operação Cítrico, coordenada pelo Ministério Público da Paraíba e pela Polícia Federal. O inquérito civil e criminal apura um suposto esquema de fraudes em licitações, desvio de verbas e inserção de servidores fantasmas através de empresas terceirizadas que prestavam serviços ao município. De acordo com a decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), o esquema, que contaria com a participação de agentes políticos de alto escalão e lideranças da facção criminosa Tropa do Amigão, braço local do Comando Vermelho, movimentou cerca de R$ 270 milhões por meio de uma folha de pagamento paralela utilizada para o repasse de propinas. A defesa de Edvaldo Neto reitera que o gestor não possui condenação definitiva, figurando apenas na condição de investigado, e que aguarda o julgamento do mérito das ações judiciais para retomar o cargo para o qual foi diplomado.

da Redação

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