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Ladrilhos com suásticas do Palácio da Redenção devem ser expostos no Museu de História da PB

Os ladrilhos com suásticas que durante quase seis décadas fizeram parte do piso do Palácio da Redenção estão sob guarda da Secretaria de Cultura e devem ser incluídos em uma exposição do recém-inaugurado Museu de História da Paraíba, em João Pessoa. Ainda não há data definida para a apresentação das peças ao público.

O secretário de Cultura, Pedro Santos, afirmou que a intenção é criar uma mostra com abordagem educativa, contextualizando o uso dos símbolos e evitando qualquer romantização ideológica. “Estamos desenvolvendo curadoria e textos explicativos. Em momento oportuno, teremos uma exposição temporária focada nesse material histórico”, disse.

História do piso e contexto histórico
O Palácio da Redenção, construído em 1586, foi residência oficial do governador e sede do Executivo estadual. Entre as décadas de 1930 e 1990, o piso do prédio recebeu ladrilhos com suásticas, instalados em 1937 durante o governo de Argemiro de Figueiredo. Na época, o regime nazista de Adolf Hitler estava consolidado na Alemanha, e o símbolo se popularizou mundialmente.

Substituição do piso de suásticas do Palácio da Redenção, em março de 1995 — Foto: Reprodução/Jornal A União/Arquivo/Antônio David

A decoração foi alvo de críticas e finalmente removida em 1995, no início do governo de Antônio Mariz, que considerou que o Palácio não deveria servir como vitrine de nenhuma ideologia. “O Palácio da Redenção não pode ser vitrine de nenhum pensamento ideológico”, afirmou Mariz à época, relatando ainda desconforto ao circular pelo prédio com o símbolo presente no piso que levava ao seu gabinete. Cerca de 90 metros de mosaicos foram retirados e guardados pela Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan).

Retirada do piso com suásticas por determinação do ex-governador Antônio Mariz — Foto: Reprodução/Arquivo/Jornal A União

Controvérsias sobre a instalação
Não há consenso sobre a motivação de Argemiro de Figueiredo na instalação das suásticas. O historiador José Octávio de Arruda Melo indica em seu livro “Os Italianos na Paraíba” que o arquiteto Giovanni Gioia, responsável pelo piso, tinha ligações com o fascismo italiano e era partidário da aliança de Mussolini com Hitler, disseminando ideias nazifascistas na região.

Não há um consenso sobre qual o papel do ex-governador Argemiro de Figueiredo na instalação do piso com suásticas no palácio do governo da Paraíba; porém, historiadora afirma que ele possuía influências nazifascistas — Foto: TV Cabo Branco/Acervo

Algumas fontes apontaram que os símbolos poderiam ser suásticas gregas, sem relação direta com o nazismo, mas estudos posteriores e o contexto histórico reforçam a interpretação de que o piso refletia influências do regime de Hitler em ascensão na época. A historiadora Loyvia Almeida explica que, apesar de o ângulo do símbolo no piso não corresponder exatamente ao da suástica nazista, ele fazia referência ao movimento em evidência no período e à difusão ideológica no Brasil.

Importância da exposição
Especialistas ressaltam que a exibição das peças é fundamental para compreender a história local e os efeitos de ideologias extremistas no estado. “Saber que tais influências chegaram à Paraíba e se materializaram no piso da sede do poder governamental torna a história muito mais próxima e concreta”, afirma Loyvia Almeida. Carlos Reis, coordenador-geral do Museu do Holocausto no Brasil, reforça que a mostra permite discutir o nazismo e seus efeitos, evitando que o terror se repita.

O gerente operacional do museu, artista Chico Pereira, já havia apontado em 2024 a intenção de incluir os ladrilhos em uma sessão dedicada à história do Palácio da Redenção, como parte do projeto museológico que contextualiza o prédio e suas transformações ao longo de mais de 400 anos.

Ex-governador Antônio Mariz decidiu retirar os ladrilhos com suásticas do palácio do governo da Paraíba em fevereiro de 1995, no segundo mês do seu curto governo; Mariz morreu sete meses depois — Foto: TV Cabo Branco/Arcevo

Do Palácio à memória histórica
A retirada do piso em 1995 cumpriu também uma promessa feita pelo então governador Antônio Mariz. As peças permaneceram guardadas por décadas e agora poderão cumprir um novo papel educativo, inseridas em uma narrativa que preserva a memória, explica o contexto histórico e evita a propagação de ideologias extremistas.

Os ladrilhos com suásticas foram retirados do Palácio da Redenção em fevereiro de 1995 — Foto: Reprodução/Arquivo/Jornal A União

Segundo Pedro Santos, a exposição será temporária e cuidadosamente planejada para abordar a importância histórica do material, com textos curatoriais e informações que permitam ao público entender o período em que os símbolos estiveram presentes no Palácio da Redenção.

da Redação

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