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Encontro MIDIACOM Paraíba reúne setor de mídia e projeta estado no circuito nacional da radiodifusão

A primeira edição do Encontro MIDIACOM Paraíba transformou o auditório da UNINASSAU em ponto de encontro de empresários, profissionais e estudantes da comunicação para discutir inovação, tecnologia e o futuro da mídia no Brasil. Ao longo de um dia inteiro de programação, o evento celebrou o primeiro ano da entidade estadual reunindo painéis sobre rádio, inteligência artificial, TV 3.0 e novos hábitos de consumo, sempre com foco na importância estratégica da radiodifusão em um cenário de mudanças aceleradas.

Na abertura, nessa segunda-feira (24), o presidente do MIDIACOM Paraíba, André Vajas, ressaltou o crescimento do setor no estado e disse que a escolha de João Pessoa como sede da entidade foi impulsionada pelo dinamismo do mercado local e pelo interesse de empresas em fortalecer conexões e projetos em comum. Ele destacou que o encontro nasce com a ambição de colocar a Paraíba no circuito de grandes eventos da radiodifusão.

O governador João Azevêdo participou da cerimônia e reforçou o papel histórico e atual do rádio como meio mais democrático de comunicação, pela credibilidade, capilaridade e facilidade de acesso à informação. Segundo ele, o rádio se mantém relevante justamente por acompanhar o cotidiano das pessoas. “Trata-se do veículo mais democrático de todos, pois chega em qualquer lugar e pode ser ouvido enquanto outras atividades são realizadas”, afirmou.

A programação começou com a palestra “Como a IA vai mudar completamente seu negócio — e o que você precisa fazer já”, ministrada por Pyr Marcondes. O especialista apresentou uma análise direta sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de comunicação, tratando desde automação de processos até mudanças profundas no modelo de negócios das empresas de mídia.

Em seguida, o rádio assumiu o centro dos debates com o painel “Influência que se ouve: o rádio é…”, conduzido por Juliana Paiva, CEO da Radiodata e executiva da Antena 1. Ela apresentou dados que confirmam a força do rádio no Brasil e chamou atenção para o desafio permanente de comunicar sua relevância em meio à concorrência de novas plataformas digitais. O painel mostrou que, mesmo diante da ascensão do streaming e das redes sociais, o rádio segue como canal de confiança para informação e companhia.

O painel da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), “TV 3.0 e o futuro da radiodifusão”, encerrou a manhã com um panorama das inovações tecnológicas da nova geração da televisão. Os executivos Carlos Octávio, Carolina Duca, Patrícia Rego e Esdras Miranda detalharam os avanços previstos para a TV aberta, incluindo maior interatividade, qualidade de imagem, personalização de conteúdo e novas oportunidades de negócios para emissoras e anunciantes.

À tarde, o foco se voltou para mudanças regulatórias e desafios institucionais. O diretor do Departamento de Radiodifusão Privada do Ministério das Comunicações, Nelson Neto, apresentou políticas de financiamento e os passos adotados pelo governo federal para viabilizar a TV 3.0 no país, destacando a necessidade de planejamento técnico e segurança jurídica para o setor.

O debate contou também com a participação do gerente regional da Anatel para Paraíba, Alagoas e Pernambuco, Jordan Paiva, que tratou da gestão e fiscalização do espectro de radiofrequências. Ele abordou o papel da agência na organização do espaço radioelétrico, no combate a interferências e na garantia de qualidade dos serviços de radiodifusão.

As transformações trazidas pela era digital voltaram ao centro das atenções na palestra “Agenda setorial: os desafios da era digital”, com o presidente executivo da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), Cristiano Flôres. Ele chamou atenção para a relação, nem sempre simples, entre veículos de mídia e tecnologia. Flôres lembrou que o brasileiro está entre os povos que mais consomem notícias pelo WhatsApp e alertou para os riscos relacionados à credibilidade das fontes e à integridade da informação em ambientes fechados de mensageria, reforçando o papel da mídia profissional nesse contexto.

A credibilidade também foi o eixo da apresentação de Leonam Torres, gerente de contas do Kantar Ibope. Dados divulgados por ele mostram que 62% do público do Nordeste confiam nas informações que recebem pelo rádio. O executivo detalhou ainda as mudanças nas formas de consumo, com crescimento do rádio online, streaming e podcasts, e citou que cerca de 32% da população já declara ouvir rádio pelo celular, reforçando a convergência entre conteúdo tradicional e plataformas digitais.

O Encontro MIDIACOM Paraíba também abriu espaço para a troca de conhecimento por meio de novas publicações. A jornalista Jô Mazzarolo, ex-diretora de Jornalismo da Globo Nordeste, participou do evento apresentando o livro “Mude o Conceito”, que aborda liderança, gestão, inovação e cultura organizacional em redações e equipes de jornalismo. Ela compartilhou experiências de sua trajetória e discutiu modelos de gestão mais modernos para redações em transformação.

O Banco do Nordeste também marcou presença com uma apresentação voltada ao desenvolvimento do setor. Participantes puderam conhecer linhas de crédito e soluções específicas para empresas de mídia interessadas em investir em inovação, modernização de emissoras, plataformas digitais e produção audiovisual, reforçando a conexão entre financiamento, tecnologia e competitividade no mercado.

Entre os momentos de maior simbolismo, o encontro promoveu o reconhecimento a empresas e profissionais do setor. As medalhas de honra ao mérito José Carlos e Hilton Motta foram entregues ao presidente da Abert, Cristiano Flôres, e à Rádio Espinharas, em gesto que valoriza lideranças e veículos com atuação relevante na radiodifusão brasileira e paraibana.

A palestra magna de encerramento ficou a cargo do colunista do Valor Econômico e especialista em mídia e negócios digitais, Guilherme Ravache, com o tema “O futuro da mídia: uma revolução repleta de oportunidades”. Ele apresentou dados sobre consumo de mídias digitais, analisou o comportamento do público diante dos algoritmos e da inteligência artificial e apontou uma tendência de “fadiga” em relação ao conteúdo automatizado. Ravache destacou que, mesmo com o avanço tecnológico, permanece estável a busca por conteúdo confiável, o que reforça a fortaleza da mídia tradicional como porto seguro para o público.

Ao avaliar o balanço do primeiro Encontro MIDIACOM Paraíba, André Vajas celebrou a forte adesão de profissionais, estudantes e representantes de empresas. Segundo ele, mais de 400 pessoas circularam pelo auditório ao longo do dia. “É momento de colocar a Paraíba no circuito de grandes eventos da radiodifusão. A ideia é crescer. Temos a convicção de que é um evento que veio para ficar”, afirmou.

A MIDIACOM Paraíba é a entidade que representa o setor de radiodifusão no estado, reunindo emissoras de rádio, televisão e portais de notícia comprometidos com a liberdade de expressão, o combate à desinformação, a defesa da cultura e o desenvolvimento socioeconômico. A organização atua como ponte entre veículos, profissionais, anunciantes, órgãos reguladores e sociedade civil, promovendo integração, formação e fortalecimento do mercado de mídia e comunicação na Paraíba.

da Redação

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