Paraíba registra recorde de feminicídios em 2025 e acende alerta sobre proteção às mulheres

O ano de 2025 marcou o período mais grave da última década no enfrentamento à violência contra a mulher na Paraíba. Dados consolidados mostram que 37 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado, o maior número desde 2015.
O volume representa um aumento de aproximadamente 37% em relação a 2024, quando foram registrados 27 casos. Até então, os anos mais críticos haviam sido 2019 e 2023, ambos com 36 ocorrências. No acumulado dos últimos dez anos, a Paraíba soma 335 crimes dessa natureza.

Um dado que chama atenção é que nenhuma das vítimas de 2025 possuía medida protetiva ativa no momento do crime, o que, segundo autoridades, dificulta ações preventivas em parte dos casos.
Violência que se constrói ao longo do tempo
Para a delegada Sileide Azevedo, coordenadora das delegacias especializadas no atendimento à mulher, os números refletem a necessidade de reforçar políticas públicas e ampliar a participação da sociedade no combate à violência.
Segundo ela, a maioria dos feminicídios não ocorre de forma repentina. Em geral, os crimes são precedidos por episódios contínuos de agressões, que começam com violência psicológica ou verbal, avançam para agressões físicas e podem incluir abusos patrimoniais e sexuais.
Esse histórico, muitas vezes, não chega ao conhecimento das autoridades antes do desfecho fatal.
O que caracteriza o feminicídio
O feminicídio é tipificado quando a morte da mulher ocorre em contexto de violência doméstica, familiar ou por discriminação e menosprezo à condição feminina. Diferentemente do homicídio comum, a motivação está diretamente ligada ao gênero da vítima.
No Código Penal, o crime é considerado hediondo e pode resultar em penas que variam de 12 a 30 anos de prisão, com possibilidade de agravamento conforme as circunstâncias.
Medidas protetivas e outros indicadores
Além do aumento nos feminicídios, 2025 também apresentou crescimento no descumprimento de medidas protetivas de urgência. O índice subiu 1,19%, e cerca de 5% das ordens judiciais concedidas às vítimas foram violadas por agressores.
Segundo a Polícia Civil da Paraíba, ao longo do ano foram solicitadas 7.286 medidas protetivas, totalizando aproximadamente 15 mil pedidos no último triênio.
Apesar disso, as vítimas de feminicídio em 2025 não estavam inseridas, formalmente, na rede de proteção, sendo classificadas como casos considerados imprevisíveis.
Impacto social
A delegada Sileide Azevedo ressalta que os dados não representam apenas estatísticas. Cada vítima deixa familiares, amigos e comunidades marcadas pela perda.
Para ela, o enfrentamento ao feminicídio exige integração entre instituições, fortalecimento das políticas públicas e maior conscientização social.
Denúncia e prevenção
Autoridades reforçam que a violência contra a mulher tende a se intensificar ao longo do tempo, partindo de comportamentos considerados “menores” até chegar a situações extremas. A denúncia é apontada como um dos principais instrumentos para interromper esse ciclo.
Os principais canais disponíveis são:
- 190: Polícia Militar, em casos de emergência
- 180: Central de Atendimento à Mulher
- 197: Polícia Civil
O alerta é para que familiares, vizinhos e a sociedade em geral não se omitam diante de sinais de agressão.
Com os números de 2025, a Paraíba entra em 2026 diante do desafio de ampliar a rede de proteção, fortalecer o atendimento às vítimas e transformar os dados em políticas efetivas de prevenção à violência de gênero.
da Redação




