Cadeirante agredido pelo pai relata omissão de cuidados e ofensas antes de ataque na Capital

Em depoimento prestado à Polícia Civil, o jovem cadeirante que foi agredido pelo próprio pai no bairro do Bessa, em João Pessoa, detalhou a sequência de eventos que antecedeu a violência sofrida no estacionamento do condomínio onde residem. A vítima relatou que o pai ignorou sucessivos apelos para retornar ao apartamento a fim de realizar um procedimento médico essencial de sondagem urinária, preferindo prolongar o consumo de bebidas alcoólicas em estabelecimentos da orla da Capital.
O jovem explicou aos investigadores que ficou paraplégico há aproximadamente quatro meses em decorrência de um acidente de motocicleta ocorrido em Parnaíba, no Piauí, onde morava com a mãe. Após o sinistro, ele se mudou para a Paraíba para cumprir a rotina de reabilitação sob os cuidados do pai, o suboficial da reserva da Marinha Antonio Luis Alves de Sena. No termo de depoimento, a vítima descreveu a convivência interpessoal como tumultuada, classificando o genitor como uma pessoa truculenta e intransigente.
Segundo o relato oficial, os dois saíram para um passeio pela orla no final da tarde de terça-feira (28). Por volta das 17h40, o jovem solicitou o retorno à residência para realizar o esvaziamento da bexiga via sonda. O pai teria negado o pedido e se dirigido a um restaurante para consumir vinho, deslocando-se em seguida para uma conveniência onde continuou a ingerir cerveja.
A chegada ao residencial ocorreu por volta de 1h da madrugada dessa quarta-feira (29). Ao constatar que o vazamento involuntário de urina havia molhado o assento do veículo, o militar da reserva passou a verbalizar insultos contra o filho e desferiu uma sequência de socos, conforme registrado pelo circuito interno de segurança do prédio.
Após a divulgação e repercussão das gravações, o acusado compareceu espontaneamente à Central de Polícia Civil, no bairro do Geisel, prestou esclarecimentos e foi liberado. A investigação foi remetida à delegacia especializada do setor para a conclusão do inquérito penal, que avaliará o enquadramento do investigado pelos crimes de tortura ou lesão corporal no âmbito da violência doméstica.
da Redação




