
O governo do Paraguai anunciou nesta quinta-feira (30) que convocou o embaixador do Brasil em Assunção para entregar uma nota oficial relacionada às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança.
Na diplomacia, a convocação de um embaixador costuma sinalizar a insatisfação de um país com outro. A crise envolve um discurso de Lula feito em 24 de julho, em Jacareí (SP), quando o presidente relembrou o conflito ao defender investimentos em defesa. Entenda mais abaixo.
O anúncio foi feito pelo chanceler Rubén Ramírez Lezcano, que afirmou que o governo paraguaio defenderá a “dignidade” e os interesses do país. Segundo ele, os presidentes Santiago Peña e Lula também conversaram por telefone sobre o assunto.
Em entrevista coletiva, Ramírez Lezcano afirmou que o governo compartilha o sentimento da população paraguaia diante de um episódio “tão sensível” da história do país.
Na quarta-feira (29), a Câmara dos Deputados do Paraguai emitiu uma declaração oficial para repudiar a fala de Lula. Segundo o documento, as declarações do presidente “distorcem e minimizam” a dimensão histórica do conflito.
Em nota, o órgão afirma que o presidente “desconhece a complexidade dos antecedentes do conflito, o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio” e as consequências geradas pela guerra.
Fala de Lula
Em discurso em Jacareí, Lula afirmou que o Brasil gosta de paz, mas que não poderia se esquecer da Guerra do Paraguai, no século 19.
A Câmara dos Deputados do Paraguai afirmou que, ao atribuir a culpa pela guerra ao país vizinho, Lula provocou “rejeição por parte de diversos setores da sociedade”.
G1