
A existência de uma rede de barriga de aluguel é uma das hipóteses investigadas pela Polícia Nacional da Espanha para explicar o fato de cerca de trinta gestantes de origem brasileira terem dado à luz no Hospital Universitário de Burgos (HUBU) desde maio. A outra possibilidade apurada é de que as mulheres tenham se dirigido à unidade de saúde pública para escapar do custo elevado para a realização dos partos na Bélgica. As autoridades locais, no entanto, não confirmam até o momento a ocorrência de um crime. As informações são do jornal El Diário.
O caso passou a ser investigado após essas grávidas terem comparecido à unidade de saúde para a última consulta pré-natal ou diretamente para o parto. Esse padrão chamou a atenção de de profissionais de saúde do hospital, que relataram à polícia.
Segundo a reportagem, parte dessas mulheres chegaram ao centro de saúde acompanhadas do mesmo homem, que assumia ser o pai das crianças. A rede de televisão Antena 3 informou que várias delas forneceram o mesmo endereço e o mesmo acompanhante ao hospital, o que chamou a atenção da equipe médica. As gestantes tinham nacionalidade brasileira, mas vieram de diferentes países europeus, principalmente da Bélgica.
Alto custo na Bélgica
Outra linha de investigação da polícia é a possibilidade de elas terem viajado à Espanha em razão do alto custo do parto na Bélgica para quem não tem seguro saúde público ou plano privado.
O sistema belga de saúde funciona por coparticipação. Nesse sistema, os pacientes são reembolsados na maior parte das despesas com parto quando a paciente aceita dividir o quarto com outra pessoa. Quem não é segurado, porém, paga o custo integral do procedimento, que varia entre 200 e 4 mil euros, segundo o El Diario.
A investigação é considerada complexa pela polícia espanhola. Um dos principais desafios é localizar as mulheres e confirmar suas identidades e endereços reais, já que elas se registraram em duas cidades da região de Las Merindades — Medina de Pomar e Villarcayo —, apesar de residirem na Bélgica.
Parlamentares cobram medidas
O Grupo Parlamentar Socialista (PSOE) apresentou uma série de perguntas ao governo regional diante da “gravidade” do caso, que, segundo o partido, pode estar relacionado a “possíveis casos de exploração reprodutiva”, de acordo com a Antena 3.
Os socialistas cobraram da segunda vice-presidente, responsável pela pasta de igualdade, explicações sobre as medidas adotadas para combater essa forma de exploração contra mulheres, e criticaram o que classificaram como silêncio do governo regional diante dos fatos.
O partido também exige que o Ministério da Saúde informe, por meio do parlamento, quais verificações são feitas antes da alta hospitalar das pacientes para garantir a segurança de mães e recém-nascidos, e se os serviços de assistência social foram acionados para avaliar a situação.
O Globo