Leo Bezerra aponta travamento em parcerias com o Estado, atribui poluição da orla à Cagepa e admite saída do PSB

O prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), fez um balanço dos desafios administrativos, impasses políticos e do andamento de obras estruturantes na Capital durante entrevista à Rádio Arapuan FM, nesta segunda-feira (20). O gestor revelou que, embora preserve uma boa relação pessoal com o governador Lucas Ribeiro (Progressistas), a cooperação institucional entre a Prefeitura e o Governo do Estado enfrenta entraves que afetam o ritmo de investimento no município. Paralelamente, acusou a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) pelo extravasamento de resíduos no mar e abordou sua iminente desfiliação do partido socialista.

Ao avaliar a relação com o Poder Executivo estadual, o prefeito lamentou a ausência de projetos conjuntos de grande porte, modelo que marcou gestões anteriores no desenvolvimento de pontes, viadutos e intervenções viárias. Leo reconheceu a destinação de R$ 1 milhão por parte do Estado para o São João da Capital, mas frisou que a principal expectativa girava em torno do envio de maquinários, equipamentos e aportes prometidos para mitigar os estragos causados pelas chuvas.

Segundo o gestor, o município arcou de forma isolada com o pagamento do aluguel social, compras assistidas, interdição de imóveis e limpeza das áreas atingidas. “Eu defendo o projeto do ex-prefeito Cícero Lucena por acreditar que ele é o melhor para João Pessoa e para a Paraíba. Tenho certeza de que Lucas entende o momento que eu estou vivendo e o que ele está vivendo. Ele vai defender a bandeira dele, e eu estou defendendo a minha”, declarou, alertando em seguida: “Quem perde com isso é a cidade de João Pessoa. Estou aguardando novas parcerias, novas ações. Espero que o governador faça isso”.

Na área ambiental e sanitária, Leo Bezerra subiu o tom contra a concessionária de saneamento básico, cobrando responsabilidade pela balneabilidade das praias e apontando o despejo indevido de efluentes da rede de esgoto nas galerias pluviais destinadas às águas da chuva. O prefeito revelou que fiscalizações municipais identificaram extravasamentos do chamado “ladrão” do sistema em bairros como o Valentina e cobrou soluções definitivas da empresa. “A Cagepa não é mais nossa parceira. O principal problema são os esgotos”, disparou o gestor, complementando: “Quem trata o esgoto é a Cagepa. Foi prometido o saneamento da nossa cidade. Se está subdimensionado, assuma que está subdimensionado”. O prefeito frisou que a Capital prefere o diálogo à abertura de uma CPI, mas advertiu sobre a aplicação de multas ambientais: “A Prefeitura está de portas abertas. Só resolve quando a Cagepa verdadeiramente for parceira e estiver ao lado da gente, como estava há pouco tempo atrás”.

O gestor também detalhou o planejamento de mobilidade e obras públicas em andamento. Entre os projetos, revelou a elaboração de um novo complexo viário na Avenida Beira Rio, no trecho de acesso ao Espaço Cultural José Lins do Rego. “Na subida para o Espaço Cultural, na Beira Rio, nós vamos fazer um mergulho para tirar aqueles cruzamentos. Essa será mais uma obra dentro desse complexo da nova ponte e do Complexo do Altiplano”, explicou.

Em relação às demais intervenções, afirmou que a recuperação da Ladeira do Cabo Branco aguarda a conclusão de estudos técnicos ambientais por se tratar de uma área de falésia; garantiu a continuidade do Viaduto do Altiplano mesmo sem a liberação imediata dos recursos federais, declarando que “se tiver de fazer com recursos próprios, a gente vai dar um jeito de fazer”; informou que o projeto do Parque Sensorial segue em tratativas com o Ministério Público; e confirmou que a paralisação das obras do Mercado Público do Valentina foi contornada com o aporte de recursos próprios do Tesouro Municipal para o término da estrutura.

No campo político e partidário, Leo Bezerra indicou que sua permanência no PSB está na reta final e depende de uma conversa definitiva com o ex-governador e pré-candidato ao Senado, João Azevêdo. O prefeito relatou sofrer oposição interna do atual presidente municipal do partido, Ronaldo Barbosa, e dos vereadores Jailma Carvalho e Zezinho Botafogo, contextualizando que a pressão reflete as dificuldades da sigla para a montagem das chapas proporcionais de deputados. “Eu não devo nada ao PSB. Quem me indicou foi João Azevêdo. A maioria do partido era contra [a indicação para vice de Cícero]. Esse partido me expulsou um tempo atrás quando era vereador. E só não me expulsou de novo porque tenho conversado muito com o ex-governador João Azevêdo”, afirmou.

Lembrando o episódio em que deixou a presidência do diretório municipal a pedido da própria legenda, Leo enfatizou que aguarda um alinhamento com a liderança do ex-governador para definir o rumo de seu apoio eleitoral. “O PSB quer meu voto para senador? Mas, não me queria para ser presidente do partido. Ali, foi o mesmo que uma expulsão. Eu não fui obrigado, mas quando uma pessoa que você respeita lhe pede para entregar o cargo, você entrega. Ele [João Azevêdo] foi pressionado e eu entendi isso. Eu só estou no partido até agora por causa de João. Mas, vai que essas pessoas fizeram a cabeça de João para ele não querer meu voto? O presidente do partido em João Pessoa e os vereadores fazem oposição a mim”, argumentou o prefeito, concluindo: “Eu estou aqui. Entrei pela porta da frente e quero sair pela porta da frente”.

da Redação

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