
A 26ª Vara Cível da Capital de Pernambuco determinou, em caráter liminar, que a Meta suspenda a conta do influenciador digital Gabriel Silva no Instagram. A decisão atende a uma ação civil pública da Defensoria Pública de Pernambuco, que acusa o produtor de conteúdo de propagar sistematicamente discursos de ódio e xenofobia contra a população nordestina. O influenciador, que acumula quase um milhão de seguidores na plataforma, também é alvo de polêmica no estado vizinho após desferir ofensas pessoais contra uma jornalista paraibana.
De acordo com o despacho do juiz José Alberto de Barros Freitas Filho, a empresa de tecnologia tem o prazo de dois dias úteis após a intimação oficial para interromper o acesso ao perfil do criador de conteúdo. Na fundamentação jurídica, o magistrado destacou que o direito constitucional à liberdade de expressão não serve como salvaguarda para ataques à dignidade humana e apontou que o influenciador transformou “o preconceito e a ridicularização de grupos vulneráveis em uma engrenagem de monetização e espetacularização”, representando uma “afronta sistemática à dignidade de milhões de brasileiros”.
A peça jurídica elaborada pela Defensoria reuniu uma série de declarações discriminatórias publicadas por Gabriel Silva em suas redes sociais. Entre os registros anexados ao processo, constam falas em que ele classifica a região Nordeste como o “esgoto do Brasil”, afirma que “todo carioca, baiano e cearense tinha que nascer preso”, argumenta que os nordestinos deveriam precisar de “visto” para transitar pelo país e que as pessoas da região teriam coeficiente de inteligência (QI) inferior e “nascem burras”, além de associar a pobreza a uma “doença” que as pessoas aceitam.
Em outro episódio que gerou forte repercussão na Paraíba, o influenciador gravou um vídeo reagindo a um posicionamento da jornalista Pollyana Sorrentino, da TV Norte Paraíba, utilizando o termo pejorativo “braço de merendeira” para se referir à profissional.
Em pronunciamento feito por meio de sua conta — que continua ativa no Instagram apesar da ordem judicial de bloqueio —, o influenciador minimizou o teor das publicações denunciadas e alegou que suas postagens fazem parte de uma estratégia de engajamento baseada em sátiras. De acordo com Gabriel, as manifestações não devem ser interpretadas de forma literal pela Justiça.
“60% aqui é personagem. A maioria dos vídeos aqui é humor”, defendeu-se o influenciador, completando que, na sua visão, “no Brasil tudo é crime e não pode dar sua opinião”.
da Redação