Adolescente baleado por policial à paisana em João Pessoa revela que saiu mais cedo para comprar bolo de aniversário para a mãe

Um estudante e atleta de 17 anos que foi baleado por um policial militar à paisana no sábado (11), no bairro de Tambiá, em João Pessoa, revelou que decidiu pular o muro da escola para sair mais cedo com o objetivo de fazer uma surpresa para a mãe. O jovem, que foi confundido com um assaltante pelo agente de segurança pública, detalhou o pânico que sentiu ao ser perseguido por um veículo com vidros escuros e acabou atingido por um disparo no ombro.

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O caso aconteceu após a vítima e um grupo de amigos pularem o muro do colégio Sesquicentenário para deixar o cursinho pré-vestibular antes do término das aulas. A movimentação chamou a atenção de um policial militar de folga, que passou a perseguir os estudantes por algumas ruas.

O adolescente relatou em entrevista que seu objetivo era acelerar as tarefas do dia para celebrar o aniversário de sua mãe. “Quando saí de lá, eu ia cortar o cabelo e era aniversário da minha mãe. De lá, eu ia passar em alguma padaria para comprar um bolinho para a gente comemorar, por isso que eu queria sair mais cedo”, declarou.

Imagens de circuitos de segurança de estabelecimentos próximos registraram o momento em que o jovem corre de um homem armado. Ao alcançar uma calçada, o estudante ergue as mãos em sinal de rendição, cai no chão e chega a receber um chute do policial antes de ser revistado. O adolescente explicou que correu apenas por acreditar que estava sendo vítima de um assalto violento, uma vez que o policial estava em um carro descaracterizado e não se identificou verbalmente.

“Um assalto, sei lá, só não pensava que era um policial. Se fosse policial, se ele tivesse se comunicado ali mesmo, eu tinha parado. Pensei: ‘um carro fumê, pronto’. Pensei que ia roubar até matar e comecei a correr, quando eu escutei o barulho”, relembrou o jovem.

Mesmo ferido pelo disparo no ombro, o estudante teve que abrir seus pertences para o agressor. Ele relatou que o policial exigiu vistoriar sua mochila, que estava trancada com um segredo numérico no zíper. “Imediatamente, falei a senha, falei: ‘Pode olhar, aí só tem caderno, folha, lápis, tem meu cartão de passagem e meu celular, e pronto’. Eu só soube que ele era policial à paisana quando já tinha chamado a viatura”, explicou.

O jovem, que é atleta de destaque nas modalidades de judô e wrestling, tendo participado recentemente de uma competição nacional de judô, foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. Apesar de já ter recebido alta médica e de se recuperar fisicamente em casa, o sentimento de vulnerabilidade e o trauma psicológico persistem. “Em uma simples saída da escola, eu quase perdi minha vida”, lamentou o estudante.

A Polícia Militar da Paraíba informou que instaurou os procedimentos administrativos necessários para investigar as circunstâncias e a conduta do policial militar envolvido na ocorrência. Até o momento, a defesa do policial não emitiu nenhum posicionamento sobre o ocorrido.

da Redação

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