
O senador Jaques Wagner (PT-BA) deve anunciar nesta semana que se afastará da liderança do governo no Senado após ser alvo da operação Compliance Zero. Uma conversa entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está prevista para ocorrer nos próximos dias.
Segundo fontes de Brasíllia, após resistir à pressão de uma ala do Planalto e do PT, o senador teria sido convencido por aliados próximos da Bahia, neste final de semana, de que a permanência no cargo ampliaria o desgaste contra ele próprio e o governo, com risco especialmente à campanha à reeleição do presidente Lula.
Wagner dirá ao presidente que deixará o cargo para se concentrar em sua defesa diante das suspeitas sobre a investigação do Master.
O presidente Lula acompanha de perto os desdobramentos da operação desde a deflagração das buscas e apreensões na última quinta-feira.
Fontes disseram à reportagem que Lula foi informado nesse domingo (21) de que o senador já havia se convencido da necessidade de entregar o cargo. A mudança de posição ocorreu após sucessivas conversas com lideranças petistas na Bahia, sob o argumento de que a saída seria o gesto político mais adequado ao presidente diante da repercussão do caso.
Nos bastidores do Planalto, auxiliares de Lula afirmam que um dos fatores que mais agravaram a situação de Jaques Wagner foi o sentimento de decepção por parte de Lula sobre às revelações da Polícia Federal (PF) pela relação de longa data que tem com o baiano. Integrantes do entorno presidencial relatam que, por mais de uma vez, Wagner havia assegurado a Lula que não existiam elementos que pudessem resultar em uma operação contra ele.
A divulgação das imagens do dinheiro apreendido pela Polícia Federal e as suspeitas envolvendo um apartamento de alto padrão em Salvador deram a sensação de que as suspeitas da relação de Jaques com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, eram ainda piores do que se imaginava.
O senador nega irregularidades e afirma que o apartamento nunca integrou seu patrimônio. Também sustenta que os valores apreendidos em espécie são provenientes de diárias legais recebidas em missões internacionais oficiais. A entrevista concedida pelo senador após as acusações foi considerada um desastre pelo entorno do presidente.
A operação Compliance Zero investiga suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e recebimento de vantagens indevidas relacionadas a pessoas e empresas ligadas ao antigo Banco Master.
A Polícia Federal afirma ter identificado indícios de benefícios econômicos recebidos pelo senador de forma direta ou indireta. Wagner nega todas as acusações e afirma que vai colaborar com as investigações.
com CNN Brasil