
A Paraíba e a capital João Pessoa atingiram patamares de alerta para a incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), impulsionadas principalmente pelo volume elevado de infecções pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e avanço de cepas de influenza. O panorama consta no mais recente Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (11), com base em dados de monitoramento laboratorial coletados entre 31 de maio e 6 de junho, correspondentes à Semana Epidemiológica 22.
Embora o estado integre o bloco de 16 unidades federativas que dão sinais de desaceleração ou interrupção no crescimento de novos casos a longo prazo, o volume acumulado de internações por complicações respiratórias permanece em níveis considerados críticos. A capital paraibana repete a tendência estadual, situando-se em faixas que oscilam entre alerta e alto risco epidemiológico, sem demonstrar nova aceleração nas últimas seis semanas, mas exigindo vigilância contínua das autoridades sanitárias locais.
O boletim técnico indica que o avanço mais expressivo das internações em João Pessoa e demais capitais estabilizadas concentra-se em pacientes infantis com idade inferior a dois anos, estendendo-se a crianças e adolescentes até os 14 anos. Em termos nacionais, o VSR lidera as hospitalizações na primeira infância (até 4 anos), enquanto o rinovírus se sobressai na faixa de 5 a 14 anos. Em contrapartida, os diagnósticos de influenza A registram maior incidência e letalidade entre adultos e a população idosa.
Diante do cenário de alta ocupação hospitalar, a pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, alertou para a necessidade de retomada imediata de protocolos preventivos por parte da população.
“É importante que a população tome alguns cuidados, como lavar sempre as mãos, usar máscaras dentro unidades de saúde e em ambientes aglomerados com pouca circulação de ar. Também é importante fazer isolamento em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado para evitar transmitir o vírus para outras pessoas. Se não for possível fazer o isolamento, recomendamos que a pessoa saia de casa usando uma boa máscara como a N95 ou PFF2. E o mais importante, é fundamental que as pessoas dos grupos prioritários e elegíveis tomem a vacina contra a influenza e o VSR, para diminuírem as chances de desenvolverem a forma mais grave da doença ou irem a óbito, caso se infectem por esses vírus”, orientou a pesquisadora.
Estatísticas de contágio e letalidade no país
O balanço consolidado da Fiocruz aponta que o Brasil já notificou 82.544 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave no decorrer epidemiológico de 2026. Desse total, 40.259 amostras biológicas (48,8%) obtiveram resultado positivo para algum agente viral, 29.404 testaram negativo e outras 7.319 seguem retidas em laboratório aguardando triagem. No acumulado geral do ano, o VSR responde por 33,1% dos casos positivos, seguido de perto pelo rinovírus (32,5%) e pela influenza A (24,4%), restando margens menores para a Covid-19 (5,7%) e influenza B (3,1%).
Contudo, o recorte restrito às últimas quatro semanas revela uma mudança na prevalência de contágio, com o Vírus Sincicial Respiratório saltando para 49,6% dos diagnósticos positivos, o que explica a pressão sobre as alas de pediatria.
Em relação à mortalidade, o sistema de vigilância do SUS computou 3.591 óbitos causados por SRAG em todo o território nacional em 2026. Entre as mortes que tiveram causa viral comprovada por exames de biologia molecular, a influenza A desponta como o patógeno mais letal, provocando 41,9% das mortes no acumulado do ano e subindo para 46,5% dos óbitos monitorados nas últimas quatro semanas. A Covid-19 aparece na segunda posição do índice de letalidade anual com 21%, seguida pelo rinovírus (20,4%), VSR (9,1%) e influenza B (4,9%).
da Redação