
O Ministério da Saúde alerta para o aumento no consumo de tabaco no Brasil. O número de fumantes cresceu no país em 2024, interrompendo uma tendência de queda que já durava 20 anos. A proporção de adultos fumantes saltou de 9,3% para 11,6%, um crescimento real de 25%.
A mudança de comportamento dos brasileiros também aparece na internet. Levantamento da Sala Digital indica que o interesse de buscas por cigarro no Google atingiu o segundo maior patamar dos últimos cinco anos em abril de 2026. O pico de buscas acontece em 2022, que coincide com o boom de popularidade dos cigarros eletrônicos.
Entre as pesquisas em alta no período, a pergunta “pod faz mais mal do que cigarro?” aparece em destaque, sinalizando a forte entrada dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) no país e uma preocupação dos brasileiros com a saúde.
Os cigarros eletrônicos passam a falsa sensação de que são menos nocivos do que o cigarro tradicional, mas podem ser mais perigosos. Segundo o Ministério da Saúde, eles contêm nicotina sintética e aditivos químicos que causam dependência, doenças respiratórias e problemas cardiovasculares imediatos, como o aumento da frequência cardíaca e da rigidez arterial.
O cigarro como estética nas redes sociais
Apesar da “febre” do vape, o cigarro convencional voltou a aparecer em lugares que ditam tendências comportamentais e estéticas, como posts de redes sociais, editoriais de moda e capas de revistas e clipes de músicas.
Recentemente, a empresária Hailey Bieber, representante da tendência clean girl (“garota limpa”, em português, estética minimalista que valoriza a beleza natural e o autocuidado) apareceu fumando na capa da revista ‘Interview’, o que contrasta com o estilo de vida pelo qual é conhecida.
Ela não foi a única: a empresária Kylie Jenner estrela a capa da revista ‘Vanity Fair’ com um cigarro na boca.
As cantoras Charli XCX e Sabrina Carpenter também entram para a lista de ícones pop que incorporaram cigarro para o aesthetic, uma com sua atitude transgressora e outra com visual que remete à Hollywood antiga, respectivamente.
Rebeldia contra a “rotina perfeita”
Enquanto a moda e a cultura pop reincorporam o cigarro tradicional, as publicações que romantizam o consumo também voltam a bombar nas redes sociais. Estudo do hub YPulse mostra que, nos Estados Unidos, as buscas por “smoking pose” (“pose com cigarro”, em português) por pessoas entre 18 e 24 anos aumentaram 70% no Pinterest.
Especialistas em comportamento apontam que esse movimento é uma reação ao crescimento do mercado do bem-estar, que criou padrões de beleza inalcançáveis e transformou autocuidado em rotina rígida.
É preciso acordar e dormir cedo, cronometrando as 24 horas do dia para tornar cada minuto produtivo; manter a aparência “limpa” e irretocável; não falhar na agenda de atividades físicas, muito menos na dieta alimentar restritiva… No meio do cansaço de tentar manter a disciplina, sem espaço para “desleixos”, o fumo ressurge como símbolo de rebeldia e desapego no mundo inteiro.
Ironicamente, em uma era de obsessão com saúde, o cigarro volta à moda pela disrupção.
Alerta ligado para os jovens
O retorno do cigarro como elemento estético nas redes sociais acende alerta para o consumo entre jovens. No Brasil, somando o fumo tradicional e o uso de dispositivos eletrônicos, a prevalência do tabagismo entre jovens de 18 a 24 anos chega a 19,8%. O dado é da pesquisa Vigitel 2024, realizada pelo Ministério da Saúde.
Reino Unido adota lei severa contra o tabagismo
No cenário internacional, o Reino Unido adotou uma das legislações mais rigorosas do mundo para combater o tabagismo. A lei Tobacco and Vapes Act instituiu uma proibição geracional do tabaco, tornando crime a venda de qualquer produto fumígeno para pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009. Como a regra se baseia na data de nascimento e não em uma idade fixa, a idade mínima legal para a compra aumentará um ano a cada ano, impedindo que essa geração tenha acesso legal ao produto mesmo após atingir a maioridade.
A legislação do Reino Unido também impõe restrições severas aos cigarros eletrônicos. O texto proíbe a venda de vapes para menores de 18 anos, cria penalidades para adultos que compram os itens em nome de adolescentes e dá poderes ao governo para restringir cores, logotipos e sabores atrativos. O uso de vapes também foi banido em locais públicos fechados, em carros que transportem menores de idade e em áreas próximas a escolas e hospitais.
Band.com.br
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