
Uma descoberta histórica na Zona Rural de Sousa, no Sertão da Paraíba, colocou o estado novamente no centro da paleontologia nacional. Um grupo de pesquisadores vinculado à Secretaria de Ciência e Tecnologia da Paraíba identificou, na comunidade Floresta dos Borbas, aquela que é considerada a maior pegada de um dinossauro terópode (carnívoro) já registrada no país. O rastro fossilizado impressiona pelas dimensões: 60 centímetros de comprimento por 55 de largura.
A pegada pertence a um Abelisaurus, um predador de grande porte que habitou a América do Sul durante o período Cretáceo, há cerca de 140 milhões de anos. Segundo o coordenador da expedição, Fábio Cortes, o animal que deixou esse rastro provavelmente media cerca de seis metros de comprimento. O achado é raro para a região da Bacia do Rio do Peixe, onde, até então, predominavam registros de carnívoros de pequeno porte, como os celurossauros. A presença de um abelissauro aproxima a fauna pré-histórica paraibana de registros fósseis comuns na Argentina e na Patagônia.
Tecnologia e mapeamento digital
Para confirmar o ineditismo da descoberta, a equipe realizou uma extensa revisão bibliográfica de pegadas catalogadas em todas as regiões do Brasil. Além da observação direta, os pesquisadores utilizaram a fotogrametria digital — uma técnica que consiste em tirar diversas fotos sobrepostas para gerar modelos tridimensionais (3D). Esse mapeamento alimenta um acervo digital que será disponibilizado para a comunidade científica e para a população local, preservando a informação de forma virtual.
Preservação e futuro do sítio
A localização da pegada, no entanto, gera preocupação imediata. O fóssil está em um afloramento rochoso que serve de acesso a uma propriedade rural, sofrendo com o tráfego constante de veículos e animais. Para proteger o patrimônio, a equipe de pesquisa, em parceria com a prefeitura de Sousa, planeja desviar o traçado da estrada e já iniciou a instalação de placas de sinalização.
A descoberta reforça o potencial científico da Bacia do Rio do Peixe, que abrange 17 municípios e abriga o famoso Vale dos Dinossauros. Com este novo achado, ganha força o projeto de transformar a área em uma reserva geopaleontológica ampliada, garantindo que novos rastros — que os pesquisadores acreditam ainda estarem escondidos sob o solo pouco mapeado da região — possam ser descobertos e preservados para as futuras gerações.
da Redação