A decisão judicial que embasou a Operação Cítrico, deflagrada nesta terça-feira (14), revela uma estrutura complexa de infiltração do crime organizado na Prefeitura de Cabedelo. De acordo com as investigações da Polícia Federal, Gaeco e CGU, o esquema movimentou cerca de R$ 270 milhões por meio de empresas terceirizadas que serviam de fachada para empregar membros do Comando Vermelho e desviar recursos públicos.
Abaixo, detalhamos o papel de cada um dos envolvidos citados no processo:
Núcleo Político e Administrativo
- Cynthia Denize Silva Cordeiro (Sogra do prefeito): Apontada como a articuladora da aliança inicial entre a prefeitura e a facção. Advogada de Flávio de Lima Monteiro (“Fatoka”), chefe local do Comando Vermelho, Cynthia teria usado sua influência familiar para garantir a manutenção do pacto criminoso. A Justiça cita ainda uma suposta relação de confiança entre ela e o traficante Fernandinho Beira-Mar.
- Edvaldo Neto (Prefeito afastado): Suspeito de ser o fiador da continuidade do esquema ao assumir o cargo interinamente. Teria garantido a permanência da empresa Lemon na gestão e a retomada do fluxo financeiro ilícito com a facção após interrupções temporárias.
- Vitor Hugo Peixoto Castelliano (Ex-prefeito): Descrito como o articulador político original do pacto. Durante sua gestão, teriam começado as dispensas de licitação e o loteamento de cargos públicos para abrigar indicados do crime organizado em troca de convivência territorial.
- Josenilda Batista dos Santos (Secretária de Administração): Principal braço operacional interno. Segundo as provas, ela recebia currículos indicados pela facção (anotando a sigla do líder criminoso nos documentos) e agia para desclassificar concorrentes da empresa Lemon em processos licitatórios.
- Diego Carvalho Martins (Procurador-Geral do Município): Teria atuado para conferir aparência de legalidade à fraude, utilizando pareceres técnicos para endossar a desclassificação de empresas concorrentes e favorecer o grupo criminoso.
- Rougger Guerra (Ex-chefe de gabinete da Prefeitura de João Pessoa): Citado como facilitador e intermediário. Imagens de inteligência o mostram em reuniões com os donos da empresa Lemon às vésperas de decisões licitatórias estratégicas no município.
Núcleo Empresarial e Operacional
- Luciano Junior da Silva (Proprietário do Grupo Lemon): Apontado como o controlador de fato das empresas de fachada utilizadas para absorver os membros da facção e gerir a estrutura de terceirização.
- Aldecir Monteiro da Silva (Sócio da Lemon): Atuava como sócio formal, assinando contratos e aditivos para dar revestimento legal às operações do grupo.
- Rita Bernadeth Moura Medeiros (Interlocutora): Funcionava como o elo diário entre o grupo empresarial e a administração pública, alinhando as demandas operacionais do esquema.
- Claudio Fernandes Monteiro (Policial militar reformado): Motorista de Josenilda, foi designado como gestor contratual para atuar como uma “blindagem”, evitando qualquer fiscalização real sobre a execução dos acordos fraudulentos.
- Tanison da Silva Santos (Comissionado): Intermediário direto de “Fatoka” dentro da prefeitura. Era o responsável por receber as listas de indicações da facção e articular as nomeações com os gestores municipais.
- Genilton Martins de Brito (Operador financeiro): Ligado a “Fatoka”, sua função era pulverizar os valores ilícitos por meio de diversas contas bancárias, configurando a estrutura de lavagem de capitais do grupo.
A Estrutura do Esquema
A investigação aponta que a empresa Lemon era o instrumento central do desvio. Através dela, o “consórcio” entre políticos e traficantes garantia influência territorial e blindagem institucional. Além das buscas e do afastamento do prefeito, a Justiça proibiu que os principais envolvidos frequentem as dependências da Prefeitura de Cabedelo.
Em nota, as defesas dos principais citados, como Edvaldo Neto e Rougger Guerra, negam qualquer envolvimento com facções criminosas e afirmam que a inocência será provada ao longo do processo.
da Redação