
Uma operação da Polícia Federal (PF) colocou o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, no centro de uma investigação sobre fraudes em concursos públicos ligadas a um grupo criminoso com base em Patos, no Sertão da Paraíba.
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A ação foi realizada nessa terça-feira (17), com cumprimento de mandados na Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Contra o delegado, a Justiça Federal autorizou busca e apreensão. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a pedir a prisão preventiva, mas o juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal da Paraíba, entendeu que a medida não era necessária neste momento.
Segundo a decisão, há indícios de que o delegado teria pressionado integrantes do grupo criminoso para favorecer pessoas próximas em concursos públicos. As suspeitas se baseiam em depoimentos de colaboração premiada e em interceptações telefônicas.
Relatos apontam que o delegado teria exercido influência sobre a organização por meio de ameaças, exigindo fraudes em benefício de aliados. Entre os supostos favorecidos estariam a esposa dele, aprovada no Concurso Nacional Unificado (CNU) para o cargo de auditor fiscal, e o irmão, aprovado em concurso do Banco do Brasil em 2023.
Também aparece como beneficiada a esposa de um policial civil apontado como intermediário do delegado dentro do esquema. Esse policial, identificado como Eudson Matos, está preso desde 2024. A mulher dele teria sido aprovada em concurso da Polícia Científica de Alagoas.
Outro policial civil citado é Ramon Izidoro Soares Alves, que também exerce mandato de vereador em Arapiraca. Contra ele, a Justiça autorizou medidas como quebra de sigilo telemático, interceptações telefônicas e busca e apreensão.
Além disso, um servidor do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) foi apontado como peça-chave no esquema. Identificado como “Mister M”, ele atuaria como coordenador de locais de prova, o que permitia acesso antecipado aos exames e repasse de respostas ao grupo. Contra ele também foram determinadas medidas cautelares, mas não houve prisão.
A operação ainda resultou na prisão preventiva de dois investigados em João Pessoa: Dárcio de Carvalho Lopes da Silva Souza, conhecido como “Dadá Meu Frango”, e Flávio Luciano Nascimento Borges, o “Panda/7777”, ambos com atuação em fraudes e ligação com a Caixa Econômica Federal. Segundo a investigação, eles participavam do envio de respostas e troca de mensagens durante provas.
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, com recolhimento de celulares, notebooks e tablets. A Polícia Federal não detalhou o material apreendido com o delegado.
As investigações revelam um esquema estruturado e de longa duração, comandado por uma família de Patos, que cobrava até R$ 500 mil por aprovação em concursos. O grupo utilizava métodos sofisticados, como uso de pontos eletrônicos, dublês e comunicação em tempo real durante as provas.
Segundo a Polícia Federal, as fraudes atingiram seleções de órgãos como Polícia Federal, Caixa Econômica Federal, polícias Civil e Militar, Universidade Federal da Paraíba, Banco do Brasil e o Concurso Nacional Unificado.
Procurados, o delegado e a Polícia Civil de Alagoas não se pronunciaram. A Secretaria de Segurança Pública do estado informou que só vai comentar o caso após notificação formal.
da Redação