
A Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria de Souza denunciou o padre Danilo César, da cidade de Areial, no Agreste Paraibano, por intolerância religiosa após declarações feitas durante uma missa celebrada no último domingo (27). Um boletim de ocorrência foi registrado nesta terça-feira (29), e o caso deve ser encaminhado ao Ministério Público da Paraíba.
Durante a homilia, transmitida ao vivo no canal da paróquia, o padre fez comentários considerados ofensivos a religiões de matriz afro-indígena, citando inclusive o nome do cantor Gilberto Gil e a morte da artista Preta Gil para questionar a fé nos orixás. “Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?”, disse em tom de escárnio. Em outro momento, o sacerdote afirmou que católicos que recorrem a “coisas ocultas” deveriam ser levados pelo “diabo”.
O vídeo gerou forte repercussão nas redes sociais e foi retirado do ar após a repercussão negativa. A Diocese de Campina Grande, responsável pela Paróquia de Areial, não se pronunciou até o momento, e o padre também não respondeu aos pedidos de posicionamento.
A associação religiosa acusa o padre de propagar ódio e preconceito a partir de um espaço sagrado e informou que já busca responsabilização judicial. “Ele distorce a fé para propagar o medo e o preconceito”, declarou Rafael Generino, presidente da entidade.
Outras organizações, como o Fórum de Diversidade da Paraíba, também repudiaram as falas. “É lamentável ver um sacerdote usar o altar para disseminar ódio em vez de promover amor e respeito”, afirmou o presidente do fórum, Saulo Gimenez.
O caso ainda não é alvo de investigação formal, mas deverá ser acompanhado por órgãos de controle e direitos humanos.
da Redação