Política

Deputada dos EUA chama Flávio Bolsonaro de “negacionista eleitoral e fraudador”

A congressista americana Sydney Kamlager-Dove chamou o senador brasileiro Flávio Bolsonaro de “negacionista eleitoral e fraudador” em uma publicação nas redes sociais. A parlamentar integra o grupo de 25 deputados da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos que cobram explicações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre uma possível facilitação da entrada do brasileiro no país.

Os congressistas querem saber se houve apoio diplomático ou logístico do governo dos Estados Unidos para que Flávio deixasse o Brasil e entrasse em território americano, mesmo após restrições de viagem impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“O povo americano merece respostas sobre por que a administração Trump está abrigando um negacionista eleitoral e fraudador”, escreveu Sydney.

A deputada também afirmou que lidera, ao lado da congressista Dina Titus, uma investigação sobre a possível participação do Departamento de Estado na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e na concessão de um visto americano ao senador.

Congresso dos EUA apresenta 15 perguntas a Marco Rubio

Na carta encaminhada a Marco Rubio, os 25 parlamentares apresentam 15 questionamentos sobre a possível atuação de autoridades americanas no episódio.

As perguntas foram organizadas em cinco eixos, que abordam desde o conhecimento da decisão judicial brasileira até possíveis consequências diplomáticas para as relações entre os dois países.

Conhecimento da ordem do STF

O primeiro bloco busca identificar quando as autoridades americanas tiveram conhecimento da decisão do Supremo Tribunal Federal e se receberam informações sobre as restrições de viagem antes da saída de Flávio Bolsonaro.

Entre os questionamentos estão:

  • Quando o Departamento de Estado, a Embaixada dos EUA em Brasília ou outras representações diplomáticas souberam da ordem que determinava a entrega dos passaportes do senador?
  • Alguma autoridade americana recebeu ou analisou a decisão judicial antes da suposta saída de Flávio do Brasil?
  • O governo dos EUA verificou se o senador tinha autorização legal para deixar o país antes de emitir ou facilitar um visto?
  • O Departamento de Estado sabia de um possível descumprimento do prazo estabelecido pela Justiça brasileira para a entrega dos passaportes?

Concessão e processamento de vistos

O segundo eixo questiona como ocorreu o processo de emissão ou aprovação de vistos para Flávio Bolsonaro e familiares.

Os parlamentares querem saber se houve aceleração ou facilitação dos procedimentos durante o período eleitoral, quem autorizou eventuais decisões e qual foi a justificativa legal para a concessão dos documentos.

A carta também questiona se os vistos foram analisados novamente após o conhecimento da decisão do STF e se as investigações criminais envolvendo o senador foram consideradas no processo.

Contatos e possível apoio logístico

Os congressistas também buscam informações sobre possíveis contatos entre autoridades americanas e Flávio Bolsonaro, familiares, advogados ou integrantes de sua equipe.

Entre as perguntas estão:

  • Houve comunicação direta ou indireta entre representantes do governo americano e pessoas ligadas ao senador sobre a viagem?
  • Alguma autoridade ajudou com voos, documentos, transporte, acesso a aeroportos ou outros procedimentos logísticos?
  • Representantes dos Estados Unidos na Argentina ou no Equador coordenaram o itinerário de viagem do senador?

Coordenação entre órgãos americanos e governo brasileiro

Outro bloco trata da possível articulação entre o Departamento de Estado e outras agências federais dos Estados Unidos.

Os parlamentares questionam se houve coordenação com o Departamento de Segurança Interna (DHS), o Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e o Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS).

Também perguntam se o Departamento de Justiça americano foi consultado sobre as implicações de facilitar a entrada de uma autoridade estrangeira que supostamente deixou seu país em desacordo com uma decisão judicial.

A carta ainda questiona se o governo dos EUA recebeu pedidos de autoridades brasileiras sobre a localização ou a situação de viagem do senador.

Consequências diplomáticas

O último eixo aborda os possíveis impactos do episódio nas relações entre Estados Unidos e Brasil.

Os congressistas querem saber se o Departamento de Estado avaliou o risco de que uma eventual assistência a Flávio Bolsonaro fosse interpretada como interferência nos processos judiciais ou nos assuntos políticos internos brasileiros.

Até o momento descrito na carta, os questionamentos buscam esclarecimentos oficiais sobre a atuação do governo americano no caso.

com Band.com.br

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