Dia a Dia

Paraíba registra nova doação de órgãos e segundo transplante 100% SUS em menos de dez dias

A 35ª doação de múltiplos órgãos registrada pela Central Estadual de Transplantes na noite dessa terça-feira (20) no Hospital de Emergência e Trauma de Joao Pessoa possibilitou a realização do segundo transplante 100% SUS da Paraíba, em um intervalo de menos de dez dias. Isso significa que o hospital doador e o hospital receptor integram a mesma rede pública hospitalar estadual. Na modalidade de transplante cardíaco, a Paraíba já realiza transplante entre unidades da rede estadual desde março de 2022.

A paciente doadora tinha 50 anos e estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Trauma-JP, quando foi diagnosticada a morte encefálica em virtude de um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH). A decisão da família em doar foi determinante para transformar a vida do paraibano Cícero Dias, de 46 anos, receptor do rim esquerdo, que dependia de hemodiálise desde 2022. Além do rim esquerdo, também foram doados o rim direito e as córneas.

A cirurgia de implante do órgão aconteceu na manhã desta quarta-feira (21) no Hospital da Mulher Dona Creuza Pires, também em João Pessoa. A irmã do receptor, Ana Paula Dias, ressaltou a mudança na qualidade de vida que o irmão terá após a cirurgia. “Esse transplante foi uma vitória. Desde 2022 era muito sofrimento para ele, que fazia hemodiálise três dias na semana, tinha que ir para Cajazeiras, fazendo 4 horas de sessão, e por conta disso, ele não conseguia trabalhar. Agora com esse transplante ele vai ter uma nova vida,” descreveu.

A cirurgia de captação durou aproximadamente 3 horas e marcou a 19ª doação de 2026 no Trauma-JP. A diretora da Central de Transplantes, Rafaela Dias, destaca os avanços conquistados pelo serviço, por meio do apoio recebido através da Secretaria de Estado da Saúde (SES). “O procedimento reforça a capacidade da rede pública estadual de realizar todas as etapas do processo, desde a identificação do potencial doador e a confirmação do diagnóstico de morte encefálica até a captação e o transplante do órgão em um hospital da própria rede. A articulação entre as equipes de saúde e o trabalho da Central Estadual de Transplantes são fundamentais para viabilizar os procedimentos e ampliar as oportunidades para quem aguarda por um transplante,” detalhou.

O primeiro transplante renal realizado no Hospital Dona Creuza Pires foi registrado no último dia 13 de outubro, transformando a vida de um paraibano de 29 anos, da cidade de Cajazeiras.  Este ano, 155 pacientes já foram beneficiados com a doação de órgãos e deixaram a lista de espera por um transplante na Paraíba, mas 821 pessoas ainda aguardam uma doação, sendo 669 para córneas, dois para coração, 31 para fígado e 119 para rim.

Autorização familiar

No Brasil, a doação de órgãos e tecidos só é realizada após a autorização familiar. Por isso, a maneira de garantir efetivamente que a vontade do doador seja respeitada, é fazer com que a família saiba sobre do desejo de doar do parente ainda em vida. Depois da confirmação da morte encefálica, a família é entrevistada por um profissional da equipe para informar sobre o processo de doação e transplantes e solicitar o consentimento para a doação. Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista de espera. A lista é única, organizada por estado ou região, e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Secom PB

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo