Cientista de dados alerta para impacto das redes e desinformação na reta final da disputa eleitoral

O equilíbrio observado nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da disputa presidencial tem se repetido com intensidade equivalente nos ambientes digitais. A quatro dias da votação, marcada para este domingo (25), a mobilização frenética de campanhas, a influência de cabos eleitorais virtuais e o avanço da desinformação desenham um cenário de disputa acirrada e polarizada que pode ser definida por detalhes na internet.
A análise foi detalhada pelo cientista de dados e membro da Comissão de Riscos Digitais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alek Maracajá, em entrevista nesta quarta-feira (21) à Rádio BandNews FM João Pessoa (101,1 MHz). Direto de Brasília, o especialista paraibano destacou que o pleito atual registra marcos inéditos no comportamento online, onde as estratégias migraram da exposição de propostas para a retenção da atenção do usuário e o embate direto.
Segundo Maracajá, o reflexo do primeiro turno impulsionou uma polarização ainda mais dura logo no início da segunda fase da campanha. Ele pontuou que, se a direita já mantinha bases consolidadas na internet, a esquerda apresentou uma forte reação espontânea recente. No balanço de engajamento, figuras públicas ganham papel de protagonistas nas estratégias de convencimento.
“Hoje, quem conseguiu capturar o patrimônio digital da direita se chama [o deputado federal] Nikolas Ferreira (PL-MG), não [o senador e candidato à Presidência da República] Flávio Bolsonaro (PL)”, afirmou o cientista de dados, exemplificando a rapidez com que conteúdos extensos viralizam em poucos minutos e rompem as barreiras das comunidades pré-estabelecidas. Do outro lado, nomes como o deputado federal André Janones (Rede-MG) foram apontados por ele como articuladores centrais na mobilização de bases em plataformas de mensagens.
A proliferação de conteúdos enganosos e notícias falsas foi colocada como uma das principais ameaças ao processo democrático. Diante de um país com mais de 180 milhões de pessoas hiperconectadas, o consumo rápido de manchetes sem checagem aprofundada amplifica narrativas descontextualizadas. Maracajá frisou que o controle institucional de grupos fechados de mensagens é tecnicamente inviável devido à criptografia, dependendo quase exclusivamente de denúncias externas feitas por integrantes para que a Justiça possa intervir.
“Qualquer notícia falsa até o processo eleitoral pode ter consequências graves. Já vimos casos de mandatos serem interrompidos por causa de impulsionamento indevido ou fake news, e o candidato vai ser punido”, ressaltou Maracajá ao falar sobre a cobrança de explicações feita pelo TSE à empresa Meta a respeito dos critérios de entrega de postagens aos eleitores.
Ao avaliar o peso das inovações tecnológicas na reta decisiva, o pesquisador enfatizou que a inteligência artificial expande o alcance e a velocidade dos disparos virtuais, o que exige responsabilidade ética no manejo das plataformas e atenção redobrada do cidadão antes de repassar qualquer informação nos dias que antecedem a ida às urnas.
da Redação



