
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (13) que a pressão popular levou o PL a mudar de posição sobre o fim da escala de trabalho 6×1. A declaração ocorreu durante o anúncio do Prospera MEI, no Palácio do Planalto, após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário no segundo turno presidencial, anunciar que votará a favor da proposta.
“Houve um barulho. Me parece que, depois da pressão da sociedade, e parece que depois de todas as manifestações nas ruas deste Brasil, o partido do PL resolveu votar o fim da escala 6 por 1.”
Sem citar o nome do concorrente, o presidente associou o posicionamento do partido às manifestações realizadas nos últimos dias. A defesa da redução da jornada esteve entre as pautas dos atos de domingo (11), na avenida Paulista, em São Paulo, e de segunda-feira (12), em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Governo deve ouvir as ruas
Durante o discurso, Lula afirmou que continuará defendendo medidas que atendam aos interesses da população, mesmo quando elas levarem a direita a rever suas posições. O presidente também disse que o período eleitoral não deve impedir o governo de ouvir as demandas da sociedade.
“Nós não queremos ser surdos, nós queremos ouvir o barulho”, declarou.
A fala ocorreu durante uma cerimônia de anúncio de medidas para microempreendedores individuais (MEIs), a 12 dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Flávio anuncia voto favorável
Mais cedo, Flávio Bolsonaro afirmou que decidiu apoiar o fim da escala 6×1 após ouvir trabalhadores durante viagens pelo país. O senador, porém, manteve a defesa de uma alternativa baseada na negociação da jornada entre empregadores e empregados.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor.”
O anúncio sucede críticas do candidato à proposta, que ele havia classificado como oportunista e eleitoreira. Antes da mudança de posição, Flávio defendia que a carga de trabalho fosse definida por acordo entre patrão e funcionário.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) em discussão no Senado prevê reduzir a jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial, e assegurar dois dias de descanso. A votação em primeiro turno está prevista para esta quarta-feira (14).
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