Paes recorre ao STF contra decisão que pode declarar Douglas Ruas eleito no primeiro turno no Rio

A coligação do candidato Eduardo Paes (PSD) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (8) para tentar suspender a decisão que determinou a anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos) e abriu caminho para a eleição de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno da disputa pelo governo do Rio de Janeiro.
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O pedido foi distribuído eletronicamente, e o ministro Cristiano Zanin foi sorteado para relatar o caso. Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça não participaram do sorteio porque haviam atuado no julgamento do processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A decisão questionada foi tomada pelo TSE nesta quinta-feira (8), por maioria. A Corte determinou que os votos recebidos por Garotinho no domingo (4) sejam anulados e que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) faça uma nova totalização.
A recontagem está prevista para este sábado (10). Com a exclusão dos votos de Garotinho, Douglas Ruas deverá ultrapassar 50% dos votos válidos, percentual necessário para a vitória no primeiro turno. O TRE-RJ informou que cumprirá a determinação após receber a comunicação formal do TSE.
Na votação original, Ruas recebeu 4.271.199 votos, correspondentes a 49,27% dos votos válidos. Paes teve 3.706.984 votos, ou 42,76%, enquanto Garotinho alcançou 274.411 votos, equivalentes a 3,17%.
Garotinho continuou aparecendo na urna porque a decisão do TRE-RJ que barrou sua candidatura foi tomada depois do fechamento do sistema da urna eletrônica.
No recurso apresentado ao STF, os advogados da coligação de Paes sustentam que o resultado deve considerar a manifestação dos eleitores. Para a defesa, a retirada dos votos de Garotinho não produz efeitos apenas sobre o candidato, mas também sobre a possibilidade de realização do segundo turno.
“Negar ao eleitor fluminense o segundo turno, sob fundamento de que os votos destinados ao candidato Anthony Garotinho devem ser descartados, é desprestigiar a vontade do povo do estado do Rio de Janeiro – que, note-se, não elegeu Douglas Ruas no primeiro turno”, afirmaram os advogados.
A coligação informou que aguardará a decisão do STF antes de fazer novos pronunciamentos. Em nota, declarou que Paes permanece confiante na realização do segundo turno.
“O candidato segue confiante na realização do segundo turno, para que seja respeitada a vontade da maioria dos eleitores fluminenses”, diz o comunicado.
Douglas Ruas criticou a iniciativa do adversário e afirmou que a decisão do TSE deve ser respeitada. Segundo ele, outros partidos que não integravam sua coligação já reconheceram o resultado indicado pela nova totalização.
“Outros partidos que não estavam conosco na mesma coligação já se manifestaram reconhecendo a vontade popular. É lamentável que se insista em querer levar para o judiciário aquilo que deve ser resolvido na arena da política”, declarou.
Atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Ruas fez um pronunciamento nesta quinta-feira (8) como autoproclamado governador e apresentou o que chamou de “caminho novo” para o estado.
“A população disse não para essa geração de políticos que fracassou. Passaram os últimos 30 anos prometendo mudanças e, pelo contrário, criaram todos os problemas para os quais nós buscamos a solução hoje”, afirmou.
Entre setembro de 2023 e março de 2026, Ruas ocupou o cargo de secretário das Cidades no governo de Cláudio Castro (PL), que comandou o estado entre maio de 2021 e março de 2026 e permaneceu filiado ao mesmo partido durante quase todo esse período.
O candidato do PL disse que pretende fazer uma transição harmoniosa com a administração atual e governar para toda a população, incluindo os eleitores que não votaram nele. Também afirmou que terá como prioridade o combate ao crime organizado.
“O que nós temos é uma população que foi abandonada pelo poder público e obrigada a conviver com a presença do crime organizado. Nós vamos devolver as ruas do Rio para o nosso povo. Nós vamos garantir o direito de ir e vir e a liberdade econômica para todos”, declarou.
da Redação



