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Dinho Dowsley cobra espaço na gestão de Leo Bezerra e mantém apoio a Cícero após derrota eleitoral

O presidente da Câmara Municipal de João Pessoa, Dinho Dowsley (MDB), se reuniu nesta terça-feira (6) com o prefeito Leo Bezerra (PSDB) para discutir seu espaço político na administração municipal. A conversa ocorreu após o resultado das eleições para o Governo da Paraíba, nas quais o ex-prefeito Cícero Lucena (MDB) terminou em terceiro lugar.

Antes do encontro, Dinho afirmou que esperava do prefeito reconhecimento pela parceria mantida durante a campanha. O vereador disse que pretende alinhar divergências e definir quais compromissos poderão ser assumidos entre as partes.

“Eu quero saber qual será o tamanho de Dinho. Porque a gente vai para sacrifícios, mas a gente também precisa ter parceria. Então vou sentar com ele para a gente alinhar nossas divergências, indiferenças e os pontos que precisam ser dados. A gente precisa saber ser retribuído. Política é de mão dupla, de via dupla, tem mão e contramão. (…) Tem que me respeitar. Eu tive 12 mil votos nessa cidade”, declarou.

Em outra manifestação, o presidente da Câmara reforçou a cobrança por reciprocidade e afirmou que espera ter espaço político proporcional à fidelidade demonstrada ao grupo.

“Em política, a gente tem que ter reciprocidade. Se a gente é fiel, se a gente é parceiro, a gente precisa dos nossos espaços, precisa também de espaços políticos. Eu preciso saber qual o tamanho de Dinho. Tem que me respeitar. Eu tive 12 mil votos em João Pessoa. Precisamos fazer esse alinhamento político”, afirmou.

Dinho recebeu 22.611 votos na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), mas não foi eleito. O MDB conquistou quatro cadeiras com Felipe Leitão, Fábio Ramalho, Hervázio Bezerra e Camila Toscano, enquanto o vereador, cuja candidatura está sub judice, terminou como terceiro suplente da legenda.

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) indeferiu o registro com base em investigações sobre possível relação com facções criminosas. Dinho recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde aguarda o julgamento do recurso para que seus votos sejam computados.

Nos bastidores, também foi apontado como fator para o resultado a prioridade dada pela estrutura política ligada à Prefeitura de João Pessoa às campanhas de Hervázio e Camila, respectivamente pai e prima de Leo.

Apesar do desempenho eleitoral, Dinho afirmou que não pretende abandonar o grupo de Cícero Lucena. Segundo ele, a fidelidade política permanece, embora a parceria também precise produzir contrapartidas.

“Eu não sou de pular do barco. Vocês nunca escutaram dizer que Dinho ia pular do barco, até porque eu tenho fidelidade ao grupo, acompanho o grupo, mas tudo também tem seu preço”, disse.

O vereador atribuiu parte da derrota de Cícero às dificuldades enfrentadas pelo candidato durante a campanha. Para Dinho, a judicialização do registro de candidatura, que chegou ao TSE, provocou desgaste entre eleitores e apoiadores.

“Também houve muitas injustiças contra Cícero, inclusive tirarem a candidatura dele e levarem para o tapetão lá em Brasília. E chegando ao ponto de lá também anularem a decisão que o TRE aqui deu da candidatura dele. Isso vai enfraquecendo pesquisas, isso vai enfraquecendo e chega no final de tudo isso a um baque muito grande na eleição”, afirmou.

Dinho disse ainda que as turbulências de uma disputa majoritária atingem não apenas o candidato, mas também os aliados envolvidos na campanha. “A gente também paga, com essas turbulências que dão numa campanha majoritária”, completou.

Cícero Lucena terminou o primeiro turno com 252.884 votos. Lucas Ribeiro (Progressistas) foi reeleito governador com 1.470.252 votos, enquanto Efraim Filho (PL) obteve 552.836.

Dinho também anunciou que não deverá disputar novamente o cargo de vereador em 2028, citando “outros compromissos já firmados”. A partir do próximo ano, ele deixará a presidência do Legislativo municipal, pois não poderá concorrer a outro biênio. O parlamentar afirmou que seu projeto e “sonho” é ser eleito deputado estadual.

da Redação

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