Política

Mendonça homologa delação que cita repasses de Vorcaro para “Dark Horse”

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça homologou nesta quarta-feira (9), sob sigilo, a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, que menciona repasses ligados ao grupo Master e à produção de ‘Dark Horse’, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Como foi fechado o acordo
O acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) foi firmado em 8 de agosto e homologado por Mendonça após audiência no Supremo, na qual o ministro verificou a voluntariedade do delator e a regularidade dos depoimentos.

Na terça-feira (8), “Mineiro” esteve no gabinete de Mendonça para confirmar a delação. Ele declarou que firmou o acordo de forma voluntária e acompanhado de seu advogado.

Papéis de “Mineiro” no grupo Master
Apontado pelas investigações como ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, ‘Mineiro’ é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo, responsável por viabilizar pagamentos de propina a políticos e remeter recursos ao exterior.

Segundo o empresário, sua função era gerar dinheiro em espécie para integrantes da equipe de Vorcaro. Ele afirma que os valores circulavam em malas e tinham como destino o pagamento de vantagens indevidas.

Transferências para o filme “Dark Horse”
Na colaboração premiada, Freixo Júnior também detalhou repasses feitos pela empresa Entre Investimentos e Participações para a produção de “Dark Horse”, filme que acompanha a carreira política de Bolsonaro e tem financiamento estruturado a partir de recursos enviados ao exterior.

Ele relata ter enviado pouco mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 61,2 milhões) ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, para custear o projeto. Ainda segundo o delator, as operações ocorreram por determinação de Vorcaro, após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL), interessado na realização do filme.

Pagamentos de propina e novos delatores
Além dos repasses ligados a “Dark Horse”, a delação descreve pagamentos de propina a diversos agentes políticos. Os nomes citados por ‘Mineiro’ permanecem em sigilo por decisão da PGR e do STF, enquanto as autoridades analisam o material apresentado.

A colaboração de “Mineiro” integra o inquérito sobre o grupo Master, que tramita no Supremo sob relatoria de Mendonça. As apurações investigam esquemas de lavagem de dinheiro e ocultação de beneficiários finais em operações financeiras estruturadas por empresas ligadas ao banco.

Nos próximos dias, Mendonça deve decidir se homologa a delação de João Carlos Mansur, dono da Reag Investimentos. A Polícia Federal apura que fundos da gestora serviam para lavar dinheiro e ocultar os beneficiários finais de transações financeiras ligadas ao grupo Master.

com Band.com.br

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